Revistas de Invenção – A Revista

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A Revista é uma criação nova e empolgante. Meia dúzia de moços desfraldaram uma bandeira de sonho e arte, rompendo com os conselheiros, avisados de que era inútil qualquer tentativa literária. A Revista, em três números, conseguiu uma tiragem assombrosa e, nas suas páginas, fulgura Minas nova e vibrante, senhora de uma arte nova. Emilio de Moura, Carlos Drummond, Abgar Renault, Milton Campos, Capanema Filho, Magalhães Drummond formam a seleção dos novos valores da Revista. O primeiro, Emilio de Moura, é um nome que a gente deve guardar. Há de fulgurar, em breve, como  um dos mais profundos críticos do Brasil.”
Assim Alberto Deodato saudava a edição d’A Revista, em 1º de outubro de 1925, no jornal O Paiz, no Rio de Janeiro. A Revista foi uma publicação mineira que teve três números editados entre 1925 e 1926, que teve como diretores Francisco Martins de Almeida e Carlos Drummond de Andrade, e como redatores Emílio Moura e Gregoriano Canedo. Com a revista mineira é possível perceber a repercussão do movimento modernista fora do eixo Rio – São Paulo, e a consequente diversificação de ideias e posições que isso traz ao movimento.
No mesmo O Paiz, em 17 de julho de 1926, Drummond deu um depoimento sobre a sua visão do modernismo:

“Seria ocioso discutir a existência dum movimento cujo resultado instantâneo e visível foi o desbarato integral do passadismo brasileiro.
Existe porque todos sabem do barulho que ele já fez. O sol queima; o sol existe.
Também denotaria falta de espírito crítico julgar o modernismo sem o devido recuo no tempo – e sem que se tenham produzido as suas mais sérias consequências.
Destruir não é nenhuma finalidade. Acabar com uma academia serôdia e patológica é um simples ato de higiene intelectual.
Por isso o nosso modernismo não pode ser de combate a falsos valores (que por si mesmo se anulam) mas uma obra paciente e consciente de criação.
Mas criação de que? Da própria fisionomia moral do Brasil.
E para criar não é preciso palavras.
Também não é preciso literatura.
Ao contrário. Por isso mesmo o modernismo indígena tem a sua mais pálida expressão nos versos que já inspirou. Neste domínio, o que ele fez de melhor foi libertar a poesia e devolvê-la intacta à intimidade de cada um de nós.
Posso afirmar que os orientadores do movimento não se preocupam com a opinião pejorativa que formam deles alguns remanescentes do passadismo. Tem um infinito bom senso e os seus frágeis adversários tem somente uma infinita estupidez.
Essa obra serena de moldagem do caráter brasileiro envolve a mais séria das responsabilidades. E a geração modernista que sabe disso não pode perder tempo com a dolorosa burrice dos seus detratores.
Para os bem intencionados por ventura ainda mal informados devo acrescentar uma palavrinha:
Convém não confundir os autênticos representantes da aspiração geral com os falsos profetas do modernismo, profiteurs manhosos e comprometedores.”

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