Revistas de Invenção – Verde

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Todos nós somos rapazes
muito capazes
de ir ver
de forde verde
os ases de Cataguases
Mário e Oswald de Andrade

Foi um espanto. Como se perguntou o crítico Tristão de Athayde, em uma crônica de 1928 n‘O Jornal, “Por que enredos da Providência Divina foi nascer, à beira de um riacho chamado Meia-Pataca, um grupo de poetas interessantes que hão de deixar uma certa marca no momento poético que estamos vivendo?”. O fato é que a revista Verde colocou a pequena cidade mineira de Cataguases no mapa da literatura brasileira.

Lançada em 1927, a revista Verde alcançou uma dimensão surpreendente. Surgida na pequena cidade mineira de Cataguases e editada por garotos entre 17 e 20 anos que formavam o grupo Verde, a revista propunha, de maneira alegre e irônica, pregar as ideias da Nova Arte e “abrasileirar o Brasil”, quebrando, assim, o clima moderado e reflexivo que a Estética e A Revista construíram dentro do movimento. Entre setembro de 1927 e janeiro de 1928, foram publicados cinco números referentes à primeira fase da revista, e em maio de 1929 foi lançado o único número da segunda e última fase, dedicado à memória de Ascânio Lopes, que havia falecido prematuramente.

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Os editores da Verde na Phebo Brasil Filme: Guilhermino Cesar, Renato Gama, Martins Mendes, Humberto Mauro, Enrique de Resende, Rosário Fusco e Francisco Inácio Peixoto. Foto de Edgar Brasil.

Na apresentação do primeiro número, a revista declara seus princípios: “Somos novos. E viemos pregar as ideas-novas da Nova-Arte. E só. E está acabado. E não precisa mais. Abrasileirar o Brasil – é o nosso risco. P’ra isso é que a VERDE nasceu. Por isso é que a VERDE vai viver. E por isso, ainda, é que a VERDE vai morrer. Ponto. Leitor camarada: muita honra e muito prazer em conhecê-lo. Disponha.”

No terceiro número foi publicado um importante e abusado manifesto do Grupo Verde:

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