Revistas de Invenção – Festa

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Periódico idealizado pelo grupo Festa – dissidência carioca dos modernistas paulistas, proponente do formalismo e do universalismo espiritual –, circulou também em duas fases: uma principiando em 1927 e terminando em 1929, a outra principiando em 1934 e terminando no ano seguinte. Dentre os colaboradores mais frequentes, encontram-se os articuladores mais vocais do grupo: Tasso da Silveira e Andrade Muricy (autor do romance A festa inquieta). Destacam-se igualmente as colaborações de Tristão de Athayde, Adelino Magalhães e Cecília Meireles.

Foi na casa de Cecília Meireles que se realizaram as primeiras reuniões para a realização da revista. Nas palavras de Andrade Muricy e Murilo Araújo, “A casa [de Cecília era] um pequeno solar, de onde se descortina todo o Rio, de noroeste, enorme, e tocado de fascinação feérica, à noite; de volta, já topamos com um completo despacho de vela acesa e galinha preta, no eixo da encruzilhada inferior da rua de São Claudio”.

O Grupo Festa manteve uma relação instável com outras vertentes modernistas, marcada por embates com autores como Mário e Oswald de Andrade. Na própria revista, Mário publicou um texto que, embora elogioso em partes, também critica de forma clara Festa: “Talvez mesmo devido a preocupações de ordem espiritual um pouco abstrata que o animam, tem um grupo de literatos no Brasil, que vem passando por demais na sombra. Esse grupo afinal resolveu chamar a atenção do brasileiro leitor para ele e está publicando uma revista, Festa. Fez muito bem. Se mais ou menos ele vivia na sombra, não se pode culpar disso os que viviam chamando a atenção, conseguindo em um momento quase monopolizar a preocupação literária brasileira. […] A agitação, a vida nova principiou com essa gente. É possível que o pessoal de Festa não carecesse do movimento modernista para ser o que é. Mas, é incontestável que vivia apagado, numa torre de marfim, muito orgulhosa e isolada.”

Um dos motivos para isso pode ser a proximidade do grupo Festa com uma permanência do simbolismo. Tasso da Silveira, aliás, era filho do poeta simbolista Silveira Neto e foi um importante crítico e antologista do movimento. Interesse observar aqui que o modernismo brasileiro cria uma tentativa de ruptura com o simbolismo, enquanto em outros lugares, como França e países da América Latina, há uma continuidade do simbolismo ao modernismo.

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