Revistas de Invenção – Arco & Flexa

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Na Bahia dos anos 1920, dois grupos antagônicos surgiram.

De um lado, a turma de Carlos Chiacchio, um poeta e ensaísta mineiro nascido em 1884 em Januária, nas margens do Rio São Francisco, e que se transferiu ainda cedo para Salvador. Chiacchio era mais velho que os seus companheiros e possuía certa ascendência sobre eles, tendo fundado duas academias literárias: Nova Cruzada e Ala das Letras e das Artes. Segundo o poeta Carvalho Filho, Chiacchio era “animador único de jovens arregimentados para as tentativas de agrupamentos literários da província, que intitulara, sucessivamente, de Arco & Flexa e de Ala das Letras e das Artes”. Além disso, Chiacchio chegou a colaborar de revistas modernistas de outros estados, tendo publicado na revista Verde e na Festa, onde apresentou o artigo “Modernistas e ultramodernistas: a reação subjetivista brasileira” . O grupo ao seu redor pensava um modernismo com tons regionalistas, dentro do que seria a virada que ocorreria nos anos seguintes em nossa literatura.

De outro lado, a turma da Academia dos Rebeldes, onde figurava um ainda adolescente Jorge Amado e  que procurava ignorar o modernismo de importação vindo de São Paulo e do Rio de Janeiro. As duas alas fizeram trincheiras em revistas – os Rebeldes com a Meridiano e a turma de Chiacchio com a Arco & Flexa. Além disso, havia a revista Samba, da qual falaremos mais aprofundadamente em outro momento,

Arco & Flexa tinha como intenção ser um mensário de cultura moderna, mas durou apenas cinco edições, publicadas entre novembro de 1928 e maio de 1929. Se autodenominando “a primeira revista filiada ao movimento moderno que se publica na Bahia”, foi um polo renovador da cultura baiana do período. Editada por um grupo amplo de jovens autores, entre eles Carvalho Filho, Ramayana de Chevalier, Damasceno Filho, Jonathas Milhomens, De Cavalcanti Freita, José Queiroz Junior, Eurico Alves, Hélio Simões e Pinto de Aguiar, além da figura do crítico e jornalista Carlos Chiacchio como mentor ideológico.

Arco & Flexa chegou a publicar um poema de Raul Bopp, posteriormente incluído em Cobra Norato.

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