Revistas de Invenção – Revista de Antropofagia

REVISTA DE ANTROPOFAGIA 1

Se, como lembra Benedito Nunes, a questão do canibalismo já estava no ar entre os criadores da época, de Alfred Jarry aos dadaístas (Francis Picabia publicaria em 1920 a revista Cannibale e o Manifeste Cannibale Dada), no Brasil ela iria tomar outro corpo, com a Revista de Antropofagia, editada por Oswald de Andrade, Raul Bopp e Alcântara Machado, entre outros, e o Manifesto Antropófago de Oswald.

A Revista de Antropofagia foi publicada de maio de 1928 a agosto de 1929. Teve 26 edições, divididas em duas fases – ou “dentições”. A primeira estendeu-se por 10 números, veiculados entre maio de 1928 e fevereiro de 1929, sob administração Alcântara Machado e Raul Bopp. Contou com contribuições poéticas de Carlos Drummond de Andrade (com seu clássico “No meio do caminho”), Manuel Bandeira, Jorge de Lima e outros, bem como artigos seminais de autoria de Mário e Oswald de Andrade (o Manifesto Antropófago foi um dos destaques do primeiro número da revista).

O segundo momento da revista – 16 números veiculados pelo Diário de São Paulo – tem início a 17 de março de 1929. Este período é marcado por uma dicção mais combativa por parte de Oswald, o que acaba ocasionando seu rompimento com muitos antigos colaboradores, entre eles Mário de Andrade. Nesta segunda fase, vemos contribuições de Murilo Mendes, Pagu e Oswaldo Costa.

ANTROPOFAGIA

A revista é encerrada em agosto de 1929, em virtude das polêmicas que levantara. Raul Bopp lembra que “cresciam, diariamente, as devoluções de jornais, em protesto contra as irreverências antropofágicas”. Em consequência, o editor do Diário de São Paulo, onde saía encartada a revista, decidiu descontinuá-la.

De qualquer forma, a contribuição estava dada. Como declara Augusto de Campos: “A Antropofagia que – como disse Oswald – ‘salvou o sentido do modernismo’, é também a única filosofia original brasileira e, sob alguns aspectos, o mais radical dos movimentos artísticos que produzimos”.

jtg358.jpg

 

Categories:

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: