Revistas de Invenção – Reflexão (1930-1950)

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Antonio Candido cercado por Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e os outros editores da revista Clima.
“Não nos compete, evidentemente, assumir uma cor política qualquer e descer à rua, clamando por ação direta. Cada um com suas armas. A nossa é essa: esclarecer o pensamento e pôr ordem nas ideias”. Essa declaração de Antonio Candido, realizada em 1943 para o jornal Estado de S. Paulo e reproduzida no livro Plataforma de uma geração, de Mário Neme, deixa claro a postura média das revistas que surgiriam nas duas décadas seguintes ao furacão modernista.
A Revista Nova, coordenada por Mário de Andrade, Paulo Prado e Antônio Alcântara Machado, já declararia em 1931, em editorial, que “o momento é de confusão”. Os espaços abertos na década anterior precisavam ser analisados, entendidos, ordenados. Em consequência, surge no Brasil, muito mais de que uma geração propositiva, uma “geração crítica”. Mas deixemos claro: isso não significa, tirante algumas exceções (a mais conhecida delas em torno da revista Orfeu e da Geração 45), uma reação ao modernismo, e sim uma consolidação das suas bases teóricas.
Talvez a mais emblemática publicação do período seja a revista Clima, que reuniu em seu corpo editorial alguns dos maiores pensadores da cultura brasileira, como o próprio Antonio Candido, Paulo Emílio Sales Gomes e Décio de Almeida Prado. Utilizando de um forte aparato conceitual temperado com toques da irreverência herdada dos modernistas, Clima possibilitou uma renovação no pensamento brasileiro.
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Orson Welles no meio de Alex Vianny e Vinicius de Moraes, editores da revista Filme.
A década de 1930 foi marcada também por importantes periódicos institucionais, como a Revista do Patrimônio Histórico Nacional, criada por Rodrigo Mello Franco de Andrade e Mário de Andrade, e a Revista Cultura, vinculada ao MEC – Ministério da Educação e Cultura – e dirigida por Simeão Leal. Essas publicações mantiveram uma alta qualidade e liberdade de conteúdo.
Não por acaso, as revistas desse período apresentavam na sua maioria o formato livro, com poucas ilustrações e textos ensaísticos de largo fôlego – o que evidencia uma preocupação muito maior com o conteúdo do que com as inovações formais. O tom clássico do design delas também expõe a preocupação em se ressaltar a seriedade dos assuntos e das abordagens.
Gratas exceções são as revistas RASM, publicada em 1939 por Flávio de Carvalho, com capa em alumínio e uma reflexão feérica sobre o modernismo, e Joaquim, editada em Curitiba por Dalton Trevisan, como um aparecimento tardio das posturas modernistas naquela cidade.

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