Revistas de Invenção – O Fan

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Em 1928 surgiu no Rio de Janeiro o primeiro cineclube do Brasil, o Chaplin Club, fundado por Plínio Sussekind Rocha, Octávio de Faria, Almir Castro e Cláudio Mello. O Chaplin Club serviu como mentor da cultura cineclubista no Brasil, seguindo a tradição da vanguarda francesa. Em 1931, exibiu O Limite, de Mário Peixoto, filme brasileiro mais importante do período.

Celso Favareto lembra que o nome do cineclube, assim como de outros clubes de cinema surgidos na época, é testemunho da duradoura fascinação pelos filmes de Chaplin entre os intelectuais, escritores e artistas, que erigiram Carlitos em emblema da luta pelo novo humanismo propiciado pelo cinema. O que, no Brasil, chega ao ápice com o poema “Canto ao homem do povo Charles Chaplin”, de Carlos Drummond de Andrade, publicado em A rosa do povo, em 1945.

O Chaplin Club possuía publicação oficial de divulgação de suas atividades, O Fan, responsável por introduzir, de forma efetiva, uma crítica de cinema no país. Espaço importante para o registro e desenvolvimento das ideias do cineclube, o periódico apresenta um amplo debate sobre a linguagem cinematográfica, com forte influência de teóricos e cineastas russos, e parte em defesa do cinema mudo, no momento em que o cinema falado inicia uma mudança profunda na arte cinematográfica.

No texto “Eu creio na imagem”, publicado no número 6 da revista, Octavio de Faria é contundente na sua postura: “A apoteose da imagem a que estamos assistindo daqui do Brasil com a nossa impassibilidade de espectadores sempre retardados é o resultado dessa falência da palavra que me parece evidente. O seu reflexo e também sua explicação. Pois a curva de ascensão de uma coincide com a de declínio da outra.”

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