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Estreia a coluna “No Mundo do Groove”

Na estreia da coluna “No Mundo do Groove”, com a série “150 discos de música brasileira que que você merece escutar”; uma lista afetiva que tive muito prazer de fazer. Os discos que serão apresentados não expressam uma “Verdade Absoluta” da MPB, e sim um panorama musical brasileiro rico em pluralidade de gêneros, estéticas sonoras, geografias e propostas. Muito disso, reflexo da minha pesquisa e desdobramentos de trabalhos com a Música, expandindo meus horizontes e me ensinando diariamente o quanto potente é a miscigenação cultural brasileira.
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Marku Ribas – Marku 
Mineiro de Pirapora, Marku  Ribas é um artista completo e referência  de sonoridade global, misturando jazz, samba, certa dose funky e a riqueza da miscigenação de africanos e índios, característica do norte de do do norte de MG. 
A obra de Marku diz muito das suas origens. Além da riqueza rítmica e de seu trabalho vocal através de scats e sonoridades corporais, poucos sabiam de suas letras políticas e antiracistas, que o levaram a ser preso pelo regime militar vigente. No final dos anos 60, foi morar na França , onde criou o grupo Batuki e atuava como ator em filmes de diretores como Robert Bresson, experiência que credenciou para atuar no Brasil, décadas mais tarde, com destaque para o filme Batismo de Sangue de Helvécio Ratton, encarnando o revolucionário Carlos Marighella. 
Morou no Caribe, abriu o show para o soulman James Brown, tocou com os Stones, e,  de volta ao Brasil, gravou trabalhos em sequência , lançando Marku, seu segundo álbum, em 1976, com um super line up de músicos, que só reforça o quanto esse disco merece ser exaltado. Um timaço com João Donato e Tenório Jr nos pianos elétricos e clavinetes, Luizão Maia no baixo, Wilson das Neves na percussão e também na bateria, revezando com Pascoal Meireles, Ivan “Mamão” Conti e  Aladin. Chiquito Braga na guitarra e um naipe de metais liderado por Oberdan Magalhães, além da presença luxuosa de Miucha nos vocais.
Zi Zambi, Meu Samba Regué, Deixa Comigo e Curumin, são meus destaques deste álbum irretocável, onde todas as músicas, sem exceção, são de riqueza rítmica e harmônica. Marku dá show nos vocais, com melismas, scats e modulações autorais.

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