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No Mundo do Groove: João Bosco (1973)

Hoje, na coluna No Mundo do Groove, o 3ºLP da série “150 Lps de música brasileira que vc merece ouvir”

João Bosco – João Bosco (1973)

O mineiro de Ponte Nova, descendente de libanês, que curtia Caymmi e Little Richards, Silas de Oliveira, Elvis e Noel, já tocava violão aos 16 anos em Ouro Preto, onde se formou engenheiro civil e teve sua primeira música, letrada por Vinícius de Moraes. O samba “Rosa dos Ventos”, nasceu da amizade entre ele e o poeta, em 67. E em 72, o Pasquim lança João no mercado, no lado B de um compacto onde a versão “raíz” de “Águas de Março” era o carro chefe. Nessa época, Aldir Blanc e JB uma das parcerias mais completas da MPB, com mais de 30 composições construídas através inúmeras cartas trocadas pelos dois. JB e Aldir se apresentavam em dupla, João no violão e Aldir nas congas.

Quem escuta a técnica refinada e as composições de João Bosco não consegue imaginar que ele nunca tenha aprendido leitura e harmonia. É impressionante a qualidade, sofisticação e estilo único de tocar suas composições no violão.

Em 73 , “João Bosco” vinha ao mundo, produzido por Rildo Hora, com arranjos de Luiz Eça, e com um time que contava com Bebeto Castilho e Hélcio Milito (Tamba Trio), Chico Batera, Rubão e destaques para músicas como “Bala com bala” (posteriormente gravada por Elis), “Amon Rá e o cavalo de Tróia”, “Boi” e “Quilombo” (um proto drum’n’bass).

Nota interessante é que fazia parte do álbum, uma suíte chamada “Os Arcos – Paixão e Morte”, versos soltos de Aldir e instrumentação de JB, relatando o fim da magia do famoso bairro carioca. Ainda tinha 09 minutos de duração, coisa rara, sendo vetada pela gravadora RCA, que chamou Rogério Duprat, ícone da Tropicália, para refazer metade do álbum, com novos arranjos. A suíte permaneceu inédita por mais de 40 anos, até que em 2016, num trabalho de releituras das composições da Aldir, a cantora Mariana Baltar, literalmente desencava a história.

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